Formatos de redes sociais

De Socialmedia.wiki.br

O projeto de uma rede social reflete no modo com a interação social acontecerá dentro de um grupo. Marcos Cavalcanti e Carlos Nepomuceno (2007) identificam três formas de utilizar uma mídia social para gerar inteligência coletiva:

  • A Inteligência Coletiva Inconsciente: aquela em que o usuário contribui com alguma informação para o coletivo mesmo sem saber, pelo simples ato de nave-gar;
  • A Inteligência Coletiva Consciente: aquela em que o usuário contribui de maneira voluntária;
  • A Inteligência Coletiva Plena: aquela em que se consegue, num mesmo ambiente, potencializar as duas formas anteriores.

E ainda dois tipos principais de redes de interação:

  • As Redes Articuladas, em que há uma participação regular, voluntária, efetiva e consciente. Ex.: Wikipedia;
  • As Redes Desarticuladas, em que há uma participação irregular, involuntária, pouco efetiva e inconsciente. Ex.: Blogosfera.

Esses formatos se combinam para estruturar os diversos tipos de comunidades que conhecemos. O design (projeto) de uma comunidade em rede deve considerar qual a melhor estrutura de acordo com as pessoas envolvidas nela e os objetivos que se pretende alcançar.

Seja a comunidade em rede articulada ou desarticulada, consciente ou inconsciente, sua ferramenta de suporte precisa apresentar um pré-requisito fundamental: toda a sua criação e seu desenvolvimento devem ser voltado à comunicação horizontal, de muitos para muitos e em rede. Desde a sua origem até a sua manutenção precisam ser guiadas por este conceito.

Comunidades on-line X Individualismo em Rede

Comunidades geograficamente definidas, como vizinhança por exemplo, foram o padrão de sociabilidade desde os primórdios da humanidade até o início da era industrial. Esta forma de socialização não desapareceu, mas tem um papel cada vez menor em sociedades modernas (CASTELLS, 2003). O individualismo é a tendência dominante nas relações sociais em nossas sociedades e dele vemos surgir agora um novo sistema de relações sociais centrado no indivíduo, que vem sendo chamado de Comunidades Personalizadas ou Individualismo em Rede.

Um encadeamento de fatores nos traz essa nova realidade:

  • A individualização da relação entre capital e trabalho e entre o trabalhador e o processo de trabalho;
  • A crise do patriarcalismo e desintegração da família nuclear tradicional;
  • Os novos padrões de urbanização onde subúrbios e condomínios isolados fragmentam o sentido espacial de existência;
  • A crise de legitimidade política, que afasta o indivíduo da esfera pública.

A Internet contribui em muito para o estabelecimento do Individualismo em Rede. Não que ela tenha criado este padrão, redes sociais desse tipo sempre existiram fisicamente ou mediadas por tecnologias como o computador ou o telefone. O que acontece é que com a Internet, a rede social centrada no indivíduo ganha força para se tornar a forma dominante de organização social.

Redes Sociais on-line são especialmente eficazes na criação e manutenção de laços fracos, aqueles que seriam perdidos se dependessem de um esforço de comunicação maior como um telefonema periódico, por exemplo. Amigos de infância, parentes distantes, antigos colegas de trabalho são exemplos desse tipo de relacionamento. Redes que crescem em torno de interesses específicos criam novos laços fracos, relacionamentos que raramente chegarão a um único encontro pessoal, quanto menos a uma relação duradoura. Mas, se as conexões específicas não são duradouras, o fluxo de novas relações é permanente, e essa é uma das manifestações sociais do individualismo em rede.

Como as pessoas podem pertencer facilmente a várias redes, indivíduos tendem a construir seus portfólios de sociabilidade, investindo diferentemente sua atenção a cada uma delas. Fica visível aí a diferença entre os conceitos de comunidade e individualismo em rede:

Em uma comunidade o foco está no coletivo, que permite ou não a participação de cada indivíduo em busca do bem comum, proporcionando sociabilidade, apoio, informação e um senso de integração e identidades social;

No Individualismo em Rede é cada indivíduo que escolhe quem fará parte de sua rede pessoal, buscando o benefício próprio. Cada rede individual é única, e muitas vezes seus integrantes não desenvolvem um relacionamento direto entre si, somente com o indivíduo central. A maior parte dos relacionamentos são laços fracos.

Disso decorre uma extrema flexibilidade e diversidade do relacionamento, mas também é uma maneira de acentuar a dissolução de instituições sociais tradicionais. Nossos desenvolvimentos tecnológicos estão aumentando as chances do individualismo em rede se tornar a forma dominante de sociabilidade. Assim estamos construindo a sociedade em rede. E é conflitante para nós que vivemos esta transição escolher entre o apego às tradições que constroem nosso imaginário ou a busca de uma nova forma de sociabilidade, altamente libertária, mas sem grandes referências que nos dêem sentido.

O Design de mídias sociais pode encontrar um ponto de equilíbrio ao projetar ambientes que incentivem o comportamento social, ao mesmo tempo em que contemplam o individualismo característico de nossos dias, e consiga agregar pessoas da forma mais adequada a cada situação, seja em comunidades, redes personalizadas ou ambas.



<< Estética da inteligência coletiva //// Formatos de redes sociais //// O amadurecimento da Web como plataforma para Produção Social >>
Ferramentas pessoais